sexta-feira, 29 de junho de 2018

Eternidade Uma Questão De Fé!

        Eternidade por  definição    não tem princípio, nem fim.   Posto    que eternidade está fora do tempo. Uma vez que neste plano tudo é  efêmero, o que prevalece   neste   plano    é   a impermanência.    Assim,      Já defendia          Heráclito de Samos  no século    VI a.C.

   Luc Ferry afirmou que: "  O cristianismo destronou o estoicismo ao prometer vida eterna ao contrário do estoicismo  que          defendia    a           dissolução do indivíduo   ao   morrer, no cosmo".  O   dogma    da eternidade foi fundamental para  o   crescimento do cristianismo.  Mas o     problema da eternidade    vem desde a  Grécia antiga, Parmênides  foi um filósofo que defendia que: "o não ser não existia, e, que o ser não poderia deixar de existir".   Portanto, o ser de Parmênides era eterno. Sempre existiu. 

       Platão século IV  a.C     criou       o  mundo  das  ideias nele tudo era  perfeito,   eterno.         Neste mundo  Parmênides defendia que todo ser era perfeito e eterno.(Não foi criado      e  portanto nunca terá fim).  Já  Aristóteles, ( discípulo de Platão) criou a causa motor. Nesta ideia ele defendia que  Deus era a única causa incausada.Posto que todo ser  tinha uma causa só Deus não tinha, portanto era eterno. Mas tal teoria é aceita porque tinha que haver um criador incriado.

      Mas, voltando para o tema que é a promessa do cristianismo de eternidade a seus seguidores, será verdade? A ciência diz que não. Porque para ciência todo ser para existir tem que descender de outros seres da mesma espécie. Logo se foi criado não é eterno. Outra tese da ciência é que todo ser é   finito. Um dia morrerá. Tal tese   nega     a ideia de eternidade.Portanto, neste mundo nada é eterno, aqui prevalece a impermanência.

      No entanto,       o dogma cristão         afirma que a eternidade é adquirida com a morte. (Dogma é            uma  questão de fé não     pode              ser comprovado).  Uma coisa é   certa este dogma é muito    reconfortante porque elimina a causa da angústia existencial, por isso foi reverenciada por seus fiéis, e ,           ele    continua referenciado. Mas acreditar jamais    vai mudar, transformar uma mentira    em verdade. Mentira continua mentira, mesmo que toda humanidade acredite que é verdade.  Sei que é muito reconfortante acreditar que  após a morte o homem vai viver sem morrer, nunca acabar. Mas uma pergunta  permanece: como pode um ser finito, no seu findar        ganhar a eternidade? Fica a  pergunta, para cada um, em sua intimidade  responda.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Reflexões!

          
         Desde criança pensei sobre a finitude da vida. A morte ameaçadora que pacientemente espera  sua vítima, agindo como o gato, que brinca com o ratinho, deixando-o fugir, para pegá -lo, lá na frente, e, após humilhar sua vítima a destrói totalmente. Estes pensamentos surgiram em minha consciência aos  cinco ou seis anos. Estava eu sem saber partilhando das mesmas angústias,  preocupações de grandes pensadores, chamados de filósofos, como: Sartre, Kierkegaard, Heidegger,  Schopenhauer, Nietzsche, a meu ver, eles são os mais  importantes.
         Estes filósofos  mudaram o foco da metafísica, (além da física) para  existência do homem; colocando o foco na vida do homem, e não no pensamento  platônico que criou o mundo das ideias e, o mundo das sombras, (o nosso mundo), posto que Para Platão tudo aqui é cópia imperfeita da verdadeira ideia de cada coisa. O mundo das ideias, alhures é perfeito. 
        O cristianismo criou um platonismo para o povo. Assim surgiram a ideia de céu e inferno.( Quem pecasse  e não se arrependesse seria condenado, quem se arrependesse seria  salvo iria para o paraíso, céu). Desta forma, o cristianismo  mantinha todo o ente humano subordinado a necessidade de uma salvação. Uma vez que todos um dia morrerão. Já  os existencialistas colocaram o foco na  responsabilidade, na capacidade de escolha do homem. Tornado-o responsável pelas conquistas, fracassos, como afirmou Sartre: "o homem é responsável por tudo que faz", ou seja, ele é ator, diretor, e escreve o texto da sua vida. Mas, muitos preferem acreditar em castigo divino.  Da mesma forma Heidegger  afirma:  "que a percepção do objeto conforme a sua consciência, gerando a existência como tal, ele denominou Daseín, o ser aí, o ser que existe e tem consciência de deixar de existir, o homem é um ser para morte". Artur schopenhauer, também fala do homem que pensa, sente e, sobretudo que é o objeto do do ser, querer a realidade, a isto ele chamou de vontade. Tal conceito de vontade representa uma força  poderosa de autopreservação do homem e, está presente em toda vida, vegetal, animal. Para ele, o querer viver é a raiz de todos os males, para superar esta certeza do fim o filósofo sugere três atitudes: 1) prática da arte. 2) Prática da caridade. 3) prática do desapego para aniquilar a vontade de permanência. Nietzsche combate ardorosamente os conceitos do cristianismo e, cria a figura do super-homem, dominador das paixões, usa a força para vencer os obstáculos, o realizador da própria vida, o forte, tão em voga hoje, o cara.Ele foi uma dinamite. 
        Entretanto, após essa exposição sobre o pensamento destes filósofos,  representantes da filosofia. Confesso que tais ideias já passeavam na minha cabeça desde criança, nunca aceite a ideia de passividade, do destino, de azar, como meu falecido pai sempre falava... Desde novo vi que a vida era para os fortes, os que tinham coragem de existir, mesmo trazendo  o germe da morte... Portanto, sempre acreditei que sucesso e fracasso tinha muito a ver com a minha atitude, e não algo fortuito que poderia  acontecer. A  posição de ser vítima para mim era repugnante, mesmo diante o caos, poderia trabalhar para transformá-lo. Outro aspecto que sempre me preocupou foi o  da continuidade da vida ou não, hoje aos sessenta e oito anos, caminhando a passos largos para o encontro fatal, prefiro a abordagem existencialista de viver, o  aqui e agora, e deixar a problemática da continuidade para o momento que ocorrer o desfecho, ou seja, não temer a perda da existência a ponto de não viver.  Não morrer antes de acontecer. Celebrar o agora.
walterleitecastro.blogspot.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Relação No Limbo!

          Relação produz afetos. Digo afeto do verbo afetar. Espinosa  defendia que, "os afetos bons produziam felicidade  ( ganho de energja) e, que afetos ruins produziam infelicidades ( perda de energja). Espinosa também  defendia a existência de um desejo de vida. ( conatus)".  Conatus a meu ver tem o mesmo significado da vontade de schopenhauer e, de vontade de potência de Nietzsche. Este conatus impulsiona o ente humano buscar os bons afetos e evitar os maus.  
       A relação no limbo é uma relação  indefinida. Visto que ela é opaca, sem brilho, sem calor.Os afetos minguaram, prepondera o vazio, vácuo afetivo. Neste tipo de relação  prevalece uma profunda indeterminação, posto que os envolvidos não se  amam, o encanto desapareceu. Os ressentimentos  se agigantaram. Por consequência, já não existe mais cumplicidade. Por outro lado os envolvidos também não se odeiam. Por que este tipo de relação  perdura por ano s? Acredito que um forte fator seja a dependência afetiva ou mesmo financeira. Outro fator muito forte é o medo do novo,  do desconhecido. Por isso, é preferida a dor conbecida. 
           Na verdade o que mata a afetividade em uma relação é a certeza da posse do parceiro.Desta forma os afetos são negligenciados. Tudo vira marasmo. A chama sexual vai minguando. Então surge de forma súbita o sinal: " a indiferença do outro se agiganta." Neste ponto cada um se isola e, os diálogos se resumem a mera informações necessárias. ( pagamentos, médicos, escolas dos.filhos, etc.). Os amigos comuns só aparecem nas fotos do istagran, nas rede sociais como lembranças. Nada mais.  Então surge a pergunta, este tipo de relação pode ser recuperada? Muito difícil. Porque a chama, a química morrem primeiro. Sem química nem amizade perdura. Só a indiferença. Mas, quando existe mais vantagem na permanência da relação  passa a funcionar um pacto velado. Onde a convivência se torna um fã no maior para ambos. Mas amor, ardor são apenas coisas do passado. 

sábado, 16 de junho de 2018

Os Afetos!

       Espinosa foi um filósofo congruente, viveu de forma simples. Aceitou o banimento, aceitou  ser considerado  mil vezes maldito. Aceitou a vida simples  de um Polidor de lentes. Mas, apesar de morrer jovem  deixou um legado para humanidade. Neste pequeno texto vou abordar a ideia  de afeto em Espinosa.
       Espinosa afirmou que existia bons e maus afetos. (Afeto no sentido de afetar e ser afetado). Espinosa também definiu conatus como desejo, impulso de vida. (A meu ver existe uma semelhança entre conatus e vontade de schopenhauer). Portanto,a alegria está associado a bom afeto, enquanto tristeza está associado a mau afeto.
  Espinosa define alma como um atributo do modo pensamento. Esta alma tem a capacidade de formar imagens das afeções do corpo. O corpo é um atributo do modo extensão. Assim a  alma está ligada ao subjetivo que para Espinosa é impensável pelo outro. Mas, todos são atributos de Deus, ou natureza, visto que nada existe fora de Deus.
    Desta forma, surgem as perguntas: Em nossa relações somos afetados positivamente ou de forma negativa? Ganhamos potência em nossas relações? Temos consciência da qualidade de nossos  afetos? Na prática todo ente humano afeta e é afetado pelo outro. A sabedoria  consiste em se afastar de quem nos afeta de forma negativa. Porque quando somos envolvidos por afetos negativos atraídos estresse e infelicidade, como muito bem afirmou Espinosa. Ele que vivenciou muitos afetos negativos sabia o que estava dizendo.

SÓ!


    Jiddu Krishnamurti nos alerta sobre a  importância do ente humano aprender a caminhar só, (sem muletas metafísicas), eis  um belo  texto : "Vocês estão acostumados a que lhes digam o quanto vocês avançaram, qual é sua posição espiritual. Quanta infantilidade! Quem além de você mesmo pode dizer se você está bonito ou feio por dentro? Quem além de você mesmo pode dizer se você é incorruptível? Vocês não são sérios nessas coisas." 
    Portanto na vida, cada momento, deve ser vivido com plena atenção, pois o instante é único, ( nada existe fora da dimensão  do instante). Contudo, ele é impermanente. Assim, torna-se - á essencial uma mente atenciosa, uma mente corajosa que não dependa de muletas existenciais, para não desperdiçar o instante... Posto que, sabemos que é bem mais fácil acreditar nos dogmas, nas crenças... É bem mais fácil seguir ideias dos outros... Ser um seguidor.
   Visto que no íntimo, na subjetividade deste homem, habita um medo visceral, do findar, do morrer. Isto é um fato.
 Embora, o ente humano mantenha relações, dependa afetivamente de pessoas, no íntimo na  mais profunda subjetividade, ele é um solitário existencial. Portanto, Só... Também  é um fato.
 Contudo, a imensa maioria da humadade prefere fazer parte do bando, ser mais um na multidão...Porque  o que na verdade importa para este ente humano não é a verdade, mas apenas o conforto, sufocar o imenso medo existencial. Outro fato.
    Desta forma, o homem prefere fugir  do estado de responsabilidade sobre sua existência, negar sua liberdade existencial. Criando uma essência  antes da existência, como muito bem afirmou Sartre. Mas, homem  se depara com uma profunda solidão existencial. Então o fazer?  Krishnamurti afirma de forma  peremptória : "Que só o homem conhece sua verdade interior".  Assim, o caminho mais evidente é buscar a verdade interior a cada momento, encarar o fato da morte, e, compreender que cada instante bem compreendido, bem vivido produz  uma profunda liberdade interior. 
     Ademais, aceitar a solidão existencial, viver intensamente cada momento, sem  nada agarrar são os instrumentos fundamentais  para uma vida feliz... Haja a vista, a felicidade ser um acontecimento, que ora aparece, ora desaparece... Geralmente sem avisar. Quase sempre a pessoa só se dá conta quando passa. Algum tempo depois.
  Todavia, quando um sentimento de presença  acontece, então a felicidade aparece. Mas, o ente humano prefere  seguir as "verdades" dos outros, porque  o medo sempre vence, e, induz o homem o conforto das crenças...
    Não obstante, tal método para superar o medo, só alimenta mais medo. Eis a verdadeira prisão espiritual. Assim, o homem precisa saber que é só, e, que  a vida boa ou má é realização dele, de mais ninguém. Apesar da importância do outro  para o homem, o que de fato prevalece em sua intimidade é  um está só.

domingo, 3 de junho de 2018

Ilusão!

     O homem é um ser  aprisionado a uma terrível  ilusão, a ideia de tempo. ( O vir a ser). O homem sempre está fora do momento presente, ora se encontra no passado, ora se encontra no futuro. Tal procedimento mata o momento presente,e,  como de fato, só existe o instante, e, nada mais, o ser humano perde a única coisa que vale a pena em sua êfemera existência. 
       Heráclito  de Samos século V a.C já dizia: " que a vida é um fluir, um constante suceder, aqui só tem de permanente,b a impermanência ". Ele afirmava que : " um homem não entrava duas vezes no mesmo  rio, porque nem o rio seria o mesmo tampouco o homem". Hoje apesar da imensa  evolução  tecnológica, o homem continua diante o devir da mesma forma dos homens na época de Heráclito, fugindo para as memórias  ou para expectativas  imaginadas enquanto sua vida é gradativamente consumida. Não tenho dúvida que o homem morri, para esse segundo restando apenas memórias,  nada mais. 
     Nietzsche combateu toda  forma de ídolos (idealismos) denominou de niilista quem alimenta uma ideia de vir a ser em detrimento do real, momento presente, que de fato está acontecendo. Tem gente obsediada com a ideia de condenação eterna, com a ideia de pecado. Se não fosse trágico seria hilário. Eu defendo que não é importante para onde você irá, no pós morte, sim o que você  está fazendo com sua vida agora.  Diga  sim, o que você  está fazendo com  a vida. Respeite cada instante e, se mantenha atento a cada emoção que surge,  sem julgamento. Apenas ficar atento.(observar).
      

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