terça-feira, 26 de março de 2019

Só

   
      Jiddu Krishnamurti nos alerta sobre a  importância do ente humano aprender a caminhar só, (sem muletas metafísicas), eis  um belo  texto : "Vocês estão acostumados a que lhes digam o quanto vocês avançaram, qual é sua posição espiritual. Quanta infantilidade! Quem além de você mesmo pode dizer se você está bonito ou feio por dentro? Quem além de você mesmo pode dizer se você é incorruptível? Vocês não são sérios nessas coisas." 
      Portanto na vida, cada momento, deve ser vivido com plena atenção, pois o instante é único, ( nada existe fora da dimensão  do instante). Contudo, ele é impermanente. Assim, torna-se - á essencial uma mente atenciosa, uma mente corajosa que não dependa de muletas existenciais, para não desperdiçar o instante... Posto que, sabemos que é bem mais fácil acreditar nos dogmas, nas crenças... É bem mais fácil seguir ideias dos outros... Ser um seguidor.
      Visto que no íntimo, na subjetividade deste homem, habita um medo visceral, do findar, do morrer. Isto é um fato.
      Embora, o ente humano mantenha relações, dependa afetivamente de pessoas, no íntimo na  mais profunda subjetividade, ele é um solitário existencial. Portanto, Só... Também  é um fato.
      Contudo, a imensa maioria da humadade prefere fazer parte do bando, ser mais um na multidão...Porque  o que na verdade importa para este ente humano não é a verdade, mas apenas o conforto, sufocar o imenso medo existencial.
      Desta forma, o homem prefere fugir  do estado de responsabilidade sobre sua existência, negar sua liberdade existencial. Criando uma essência  antes da existência, como muito bem afirmou Sartre. Mas, homem  se depara com uma profunda solidão existencial. Então o que fazer?  Krishnamurti afirma de forma  peremptória : "Que só o homem conhece sua verdade interior".  Assim, o caminho mais evidente é buscar a verdade interior a cada momento, encarar o fato da morte, e, compreender que cada instante bem compreendido, bem vivido produz  uma profunda liberdade interior. 
     Ademais, aceitar a solidão existencial, viver intensamente cada momento, sem  nada agarrar são os instrumentos fundamentais  para uma vida feliz... Haja a vista, a felicidade ser um acontecimento, que ora aparece, ora desaparece... Geralmente sem avisar. Quase sempre a pessoa só se dá conta quando passa. Algum tempo depois.
    Todavia, quando um sentimento de presença  acontece, então a felicidade aparece. Mas, o ente humano prefere  seguir as "verdades" dos outros, porque  o medo sempre vence, e, induz o homem o conforto das crenças...
     Não obstante, tal método para superar o medo, só alimenta mais medo. Eis a verdadeira prisão espiritual. Assim, o homem precisa saber que é só, e, que  a vida boa ou má é realização dele, de mais ninguém. Apesar da importância do outro  para o homem, o que de fato prevalece em sua intimidade é  um está só.

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