sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Angústia Existencial!

          A angústia é inerente a natureza humana, ela é fruto das incertezas existenciais,  ocorridas do berço ao túmulo. Portanto, o ente humano na mais pronfunda solidão existencial segue o seu caminho: (o viver , realizar as escolhas   e pagar o preço pela opção  selecionada).     Eis o grande problema  da existência humana.
          Assim, o homem  prefere elaborar teorias em  que ele tira de si mesmo a liberdade de viver, de  acertar, de errar. A principal  teoria criada pelo ser humano  enganando a si mesmo foi a teoria criacionista : (O homem foi criado por uma causa externa, Um Deus transcendental, uma inteligência superior, Deus pai), assim,  Deus criou o homem feito sua  imagem e semelhança,  determinando sua trajetória existencial; neste caso o ente humano teria apenas que seguir ,obedecer os propósitos de seu criador... Não obstante, a beleza desta teoria,  sua aparente solução para a imensa angústia existencial; se apresenta como  uma mentira que o homem conta para si mesmo, (má fé ),  ou seja, impossibilitado de assumir sua liberdade  de pagar o preço por essa condição de  vida, o homem abdica dessa liberdade,  se minimiza, e se equipara a um boi, um gato, uma planta que são predeterminados, e não têm condições de alterar sua existência,  porque um gato será gato hoje,  daqui a milhares de anos, sem liberdade , ele agirá como gato sempre, como afirmou Rosseou. Destarte, o homem preferiu mentir a si mesmo,  negando sua liberdade de existir, e  sua reponsabilidade pelo que fez ou está fazendo de sua vida.
        Portanto, tal fato se caracteriza como  uma típica atitude de transferência de  responsabilidade, uma negação de sua liberdade existencial, que o eminente filósofo Sartre  a denominou,  (de má fé) . O existencialismo sartriano salienta alguns aspectos interessantes  que explicam a angústia humana, ei-las :
1)  A existência precede a essência;  2)  O homem está condenado a ser livre;  3) Na icapacidade de assumir sua liberdade o homem  nega sua liberdade mentindo a si mesmo a esta mentira Sartre denominou de má fé. 
         A existência precede a essência : Para o grande filósofo existencial  o homem brotou, não foi fruto de um projeto, uma ideia anterior, de algum Deus que através criou o homem; por exemplo: (Um carpinteiro imagina uma mesa, elabora um projeto e após averiguar bem ele cria a mesa, nesta caso o ente mesa foi precedido pela ideia; o homem para o existencialismo não é precedido pela essência, tudo surge após o surgimento de sua existência. A segunda característica  é a liberdade que neste caso não  é algo fora do homem, otorgado por alguém, alguma inteligência  superiora. Como  o ser humano não foi criado por um Deus,  antes da sua existência só  o nada prevalecia,  logo tudo na vida humana foi uma conquista efetuada, assim o homem tornar-se um constante vir a ser, um constante projeto, neste caso a liberdade não é consequência,mas causa,  isto é, a liberdade é condição do existir.
         A terceira característica  a angústia existêncial quando o homem se descobri como o único responsável pelo o que ele fez de sua vida. Neste caso tudo de bom, tudo de negativo, (a porcaria de vida, os erros graves, as omissões, as fraquezas, enfim tudo).O homem é  o único responsável. Sartre sempre afirmava: ( "O importante não é o que nos fazem , mas o que fazemos com que fazem de nós").  É evidente que este tipo de conhecimento existencial não aplaca a angústia  que é fruto da auto percepão humana, desta forma ela  irá ao túmulo com o ser humano. Não obstante, é   bem melhor aceitar que o homem faz parte de um cosmo bem ordenado, e que tem apenas de seguir os direcionamentos pre estabelicidos, do que acreditar em mundo de mistério, de eterno vir a ser, de um processo de auto edificação , que nada está ordenado ou pré estabelecido, e que o imponderável pode acontecer.
                Contudo, prefiro viver na improbabilidade, compreender minha liberdade,  pagar o preço pelo o viver. Não me importotando  com a visão menor que de forma preconceitosa denomina de ateu quem ousa buscar seu caminho existencial. Eis uma polêmica menor

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Imponderável!

          Na vida cada  momento é novo é desconhecido, contudo  o ente humano transforma o novo, o desconhecido em rotina, (o banaliza).Mas, o novo, a cada momento, surpreende, e esta forma de surpreender se dá pelo imponderável. Assim, a vida vai a cada instante tecendo surpresas, (pregando suas peças para acordar o ser humano, modorrento, conservador, que teima em em enquadrar a    vida na rotina,querendo o imutável.
         No  entanto, tal procedimento além de ser pouco inteligente, a cada momento  é desmentido: (ora  é a morte de um ente querido, familiar, ora um acontecimento inesperado ou improvável que ocorre,um  acidente, etc). Alguns denominam de  sorte,ou de azar. Mas,  o que de fato  ocorre  é a vida, este enigma, esta magia  manifestando - se  através  do agora,do  imponderável). Portanto só a presença no instante, permite abraçar o novo, sem querer transformá - lo no velho. Mas, a presença é a manifestação do agora na  consciência sobre a  vida,  naquele instante.
         Portanto, a vida jamais ocorrerá de forma repetitiva,  pois a cada instante tudo  é novo. Então o que  fazer para viver efetivamente a vida sem contaminá -la com o velho?  Como não deixar o ontem, o  passado contaminar o agora? O que é necessário para penetrar em cada instante sem esperar que algo aconteça? São muitas as perguntas, no entanto, as  respostas conduzem sempre na mesma direção, que é : (Não existe regras, não existe como , não existe roteiros  pré estabelecidos). Portanto, só existe um caminho que é: (Viver corajosamente cada instante, sem esperar ou desejar nada,apenas saboreando cada instante).Neste momento você deve está reverberando, --- como viver sem planejamento, sem pensar a vida a longo e médio prazo? Isto não seria uma insanidade? Calma amigo,  não estou pregando uma vida sem planejamento, acho que o planejamento é fundamental em todos os sentidos; o que estou salientando é que a pessoa após planejar,  e partir para a ação, não deve viver a expectativa futura, deve neutralizar qualquer ansiedade, e jamais sair do instante, para um futuro, pois, é comum a fuga do agora para o futuro que ainda não é  e que poderá não sê-lo, ou, pior ainda, a fuga para o passado que foi, mas que não é mais existindo  só na mente  das pessoa através da memória.
          Assim , fica evidenciado que viver o instante e compreender a a dança  temporal, a  imprevisibilidade de cada momento é  o que dá sabor  à vida.Assim,  quer o ente humano aceite ou não. A  verdade é que cada momento é escuro, desconhecido e tudo pode ocorrer,  pois se nasce e morre, em um instante. Por exemplo: ( Em 12/09/2013 fui trabalhar como normalmente faço com ideias para todo dia, mas  como sempre  aconteceu tudo diferente, o inesperado, virei o carro da repartição, quase morri,ufa!  Então lembrei-me  que estava vivendo aquele dia com minhas expectativas,  minhas ideias, mas ocorreu o inesperado, o imponderável, para demonstrar que  a vida  ocorre a cada instante,  e tudo é novo. Esta verdade para minha pessoa é inquestionável.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

FELICIDADE UM ACONTECIMENTO NA SUBJETIVIDADE HUMANA!

     A ideia de felicidade  na sociedade pós moderna está atrelada a uma serie  de condições, como: (Ser bem sucedido, ser amado, ser aprovado, ser saudável, ser bem relacionado, etc).Devido  as inúmeras condições para ser feliz, o homem pós moderno padece um drama existencial: Nunca atingir a plena satisfação! Logo  sua vida  torna-se uma carga a suportar.
      Portanto, o fundamental é que o ente humano  compreenda que felicidade para ser legítima tem que ser incondicional, pois, qualquer condição imposta  para o homem ser  feliz, transformar-se-á  em infelicidade, porque  mesmo satisfazendo o desejo,  a insatisfação assume o controle gerando outros desejos, condições, tal fato, explica o porquê da  insatisfação  do  homem contemporâneo, que  é extremamente invejoso, insatisfeito, por isso, precisando de estímulos fora do Self.
        Assim, o caminho para felicidade como muito bem salientou Aristóteles no século IV A.C : ("A felicidade é alcançada através de uma vida  virtuosa e equilibrada "). Posto que, o ente humano é um reflexo de suas ações, do que está focando, pois, todo procedimento, todo sentimento, pensamento, é energia que forma um campo magnético capaz de atrair energias afins, assim a energia  do campo mental da pessoa atrairá energias afins,por exemplo, (ódio atrai ódio, pensamentos negativos, pensamentos de infelicidade atraem infelicidade, e sofrimento). Posto que, na vida, no universo tudo é energia, assim fica evidenciado a bobagem do  homem querer ser feliz, com um mundo mental, emocional, conturbado.
     Portanto, é fundamental um trabalho constante visando a autoestima,ou seja, uma autoimagem positiva,  pois, quando uma pessoa  aprende a se respeitar, a gostar de si mesmo, tudo se torna mais fácil. Eis,o processo da  autoaceitação permitindo ao ente humano gostar de si, portanto ser feliz sozinho. Porque ninguém faz o outro feliz, pois,a felicidade é um acontecimento que acontece na intimidade de cada pessoa.

domingo, 11 de outubro de 2015

Destino ou Vontade de Deus?

    
       Este tema é bastante controverso, mas  o abordarei  de forma direta.  Esta  temática demonstra  que existe uma vontade maior que a vontade humana, esta vontade é a vontade de Deus. No entanto, tal crença é bastante limitadora, além de conter uma transferência  de responsabilidade, eliminando do ente  humano sua  responsabilidade pela condução, e realização  do projeto de sua vida, fato que transforma o homem em mero coadjuvante no processo do viver.
      Mas, é importante entender que o homem é fruto direto de suas escolhas ao longo da vida, caso escolha bem, obterá, usufruirá de bons resultados, mas se escolher mal os resultados negativos  trarão  consequências. Desta forma, tudo na vida humana depende de escolhas e ações, mas o ente humano  desde os primórdios sempre buscou encontrar uma explicação metafísica para os enigmas da vida. Portanto,  as crendices, as superstições foram usadas para manipular, controlar o homem roubando-lhe a liberdade,seu  único bem,  como  bem demonstrou Sartre ao afirmar:  ("o homem esta condenado a ser livre"). Por outro lado, com a evolução  o homem foi aprimorando suas ideias metafísicas, passando das superstições para  explicações teológicas e filosóficas  fato determinante para o surgimento do monoteísmo, e posteriormente para uma concepção de Deus mais elaborada.
      No entanto, o medo continuou e as teses criacionista com suas  explicações  religiosas não foram suficientes,  então surgiram os dogmas que transformaram tudo em uma questão de fé silenciando a  razão. Apesar, da importãncia das ideias religiosas, (para acalmar o medo do findar), mas, por outro lado, foram  nocivas  ao eliminar do ente humano  a liberdade de ser responsável por si mesmo. 
     Destarte, apesar do imenso avanço intelectual,  tecnológico o ser humano continua animalesco, cruel, medroso como seus antepassados pré históricos,  fato  bem demonstrado através da  imensa violência urbana. No entanto, examinando mais detidamente o tema : O que dizer da vontade de Deus? Observo  que  além da transferência de poder,  responsabilidade  já mencionada  acima, implica em  uma aceitação passiva dos reveses da vida, uma submissão  ao  destino,  ao fatalismo, pois neste caso Deus entra como uma ideia de salvação  do ente humano  da  morte, com uma sonhada promessa de vida eterna. 
      Não acredito nestas ideias, não aceito que o ente humano nada possa, que seja apenas  um joguete diante de um capricho denominado vontade de Deus. Sei  que na vida com certeza ocorrerão,  (alegrias, dores, nascimento, morte, amores, decepções, rejeições , abusos etc). Mas,  mesmo assim,  o homem é senhor de sua vida, portanto, goza de plena liberdade para viver da forma que entender, mas efetivamente pagará o preço por  suas escolhas. Sei que, ("a morte é o destino tudo"), que ninguém escapa  de suas garras, uns vão muito cedo, outros  ficam mais um pouco mais,  e alguns ficam bem velhinhos, mas não existe ninguém que não passe pelo processo do morrer.
     Desta forma, aceito   o dom da vida como algo extraordinário, maravilhoso, que este dom deve ser bem aproveitado e jamais desperdiçado com medos,  fobias, crendices... Pois, na vida tudo é único, novo, e  cada momento é desafiador,  assim, o ente humano deve celebrar  cada instante, e viver alegremente. Contudo, sei que o homem como um ser medroso, prefere  acreditar na ideia de um Deus pai, um ser  antropomórfico que governa a vida, a  humanidade e que pensa a cada instante o que irá ocorrer,  a cada um, dos mais de seis bilhões de pessoas que existem no mundo, ufa! que tarefa!  Mas, alguns leitores ao leem  este pequeno texto , logo afirmarão : É um ateu, e ficarão com muita raiva deste grande pecador!  No entanto, continuo  informando meu  ponto de vista, minhas ideias: nenhum ente humano tem capacidade para  desbravar o desconhecido; a  ideia de uma vida pós morte apesar de ser bastante acalentada só pode subsistir no mundo da fé;  não acredito  em salvação eterna, e tampouco em condenação eterna. Não acredito que espiritualidade seja apenas  não praticar o mal,  por medo da condenação eternal; não aceito a ideia do destino como, ( um roteiro, uma  programação imutável que condena ao ente humano previamente). Pois o homem seria neste caso um simples joguete, sem vontade própria, sem mérito. Então em que acreditar ? Acreditar  no dom da vida; acreditar  na liberdade como algo inerente à vida; acreditar  que o ente humano é um ser em evolução,  um eterno projeto. Assim afirmo sem medo,e  peremptoriamente,  que o grande caminho para uma vida de qualidade e inteligente é a espiritualidade, e a prática da liberdade, o resto é apenas crendice.

sábado, 10 de outubro de 2015

A Aposta de Pascal! (1623 1662).

    Blaise Pascďal  matemático,inventor, filósofo, nascido na França  em 1623, falecido em 1662. No entanto, apesar de sua "inteligência " e erudição,Pascal viveu atormentado pela idéia do pecado,da condenação eterna, (do fogo do inferno).
     Pascal desenvolveu um raciocínio lógico para defender sua tese:(Se o homem crê  em Deus,e esse Deus não existir, este homem não estará presente para sentir-se logrado,mas, se Deus existir ele gozará da vida eterna ).Eis,a aposta de Pascal. Na verdade ao propor tal ideia Pascal demonstra a priori um sentimento atormentado pelo medo da condenação de "Deus". Eis um fato.Mas além deste medo fica evidente uma idéia   de mercantilismo "religioso",assim,neste caso o importante era que atitude apresentava menor risco,nada de amor incondicional,de espiritualidade.
    Contudo, é importante compreender Pascal dentro do contexto do século XVII  onde a religião dominava o homem por meio  do medo do inferno. Assim, apesar de sua erudição  para época,o medo incutido pela religião  prevalecia,o filósofo sucumbiu diante o medo.Só no final do século XIX,que  Nietzsche contestou a religião cristã denominando-a de decadente, de niilista, (niilista para Nietzsche era o ato de negar o aqui,o mundo da vida por causa de um mundo imaginário),portanto,Nietzsche  desmascara a lógica do medo,com certeza ele chamaria Pascal de decadente, de fraco, niilista.Mas são dois  séculos que separam os dois filósofos. Além de Nietzsche  ser um machado derrubando todo dogmatismo.
     Examinando a aposta de Pascal fica evidente dois aspectos:(medo de Deus, e medo da morte),medo de Deus porque o Deus cristão apresentado na época era um deus punidor que não dispensava transgressão, (pecou vai queimar  para sempre no inferno). Medo da morte porque a morte é certeza do fim,que representava o julgamento de Deus. Pascal não entendia Montaigne que salientava que: ("o homem precisava aprender a morrer, através da filosofia").

sábado, 3 de outubro de 2015

A Questão da Crença e do Ateísmo!


      Atualmente em nosso mundo pós  moderno,desenvolvido tecnologicamente  estamos a presenciar uma contenda imensurável entre crentes e ,  cada qual desenvolvendo estratégias para demonstrar a força de seus pontos de vista,e desta forma conquistar adeptos.
    Não obstante, o esforço nem crentes e descrentes conseguem convencer o outro de suas certezas,  apenas existe uma imensa distância entre eles,  e nada de comunicação. Assim, pergunto qual melhor caminho ? em primeiro lugar respeito muito o pensamento das pessoas, desta forma neste texto não pretendo convencer  ninguém a seguir determinada abordagem.  "Fiquem desarmados"!  No entanto, respondendo a pergunta referente ao melhor caminho, começo realizando uma pequena  avaliação sobre o crente e o ateu.A  meu ver tanto o crente, como o ateu  estão no mesmo nível, pois,  ambos acham que já chegaram, encontraram a "verdade", por isto, deixaram de pesquisar. Ambos acreditam, têm fé,o crente acredita em Deus,o ateu acredita no não Deus, portanto estão no mesmo nível.
       Outro aspecto interessante do crente e descrente  é  que  cada um  acha que tem razão, e outro está totalmente errado, portanto, precisa ser orientado; Portanto,  eles não conseguem dialogar, ouvir o outro, pois suas certeza são imensas. Mas,  o grande problema tanto do crente, como do descrente, é que só eles têm razão, estão certos; tal forma de pensar é perigosa, arrogante,  presunçosa  além de estimular o fundamentalismo,  bem como a intolerância.
     Portanto, meu caminho vai além do  crente, e  do ateu, meu caminho é o da transcendência da fé, e  da não fé;  é o caminho do amor fati,(amor a vidacomo ela se apresenta), portanto, uma visão  humana de entender o outro,  de compreender nossa impossibilidade para desbravar os mistérios da vida,  de  decifrar o desconhecido, assim, diante da total impossibilidade de por meus méritos, ou mesmo seguindo a outras pessoas  alcançar a verdade; vivo sem caminho formalizado, sem certezas, apenas vivendo cada dia com uma imensa gratidão, ao dom da vida, buscando de todas formas viver cada momento, sem nada agarrar, mas, tudo celebrar, sem certezas, apenas vivendo, e aceitando o que a vida coloca diante de mim.
     Desta forma, o caminho do crente como o caminho do descrente a meu ver  são caminho exclusivistas,  pois quem crer  jamais admitirá quem não crer, e da mesma forma o não crente não aceita o crente.  Eis a consequência de uma abordagem exclusivista. Tenho amigos crentes, e descrentes e a todos digo que meu caminho é além da crença, e da descrença,  deste modo aceito a ambos e sem conflito jamais alimento que só eu estou certo,  pelo contrario reconheço que sei muito pouco,   e nunca alcançarei a verdade, por isso, não me estresso  por causa da fé, ou não fé de alguém,  para mim o importante é viver  bem,  em liberdade, agradecendo,  e observando cada momento sem moralismo, sem pregação; eis meu lema;  (viva a vida, enquanto  está vivo, não desperdice sua vida).

Terceiro Passo!

    "Decidimos entregar nossa vontade  e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que  O concebíamos".
       Observando o enuciado deste passo fica evidente que o  verbo inicial encontra-se no presente, (indicando ação da entrega no agora).Portanto, este passo deve ser aplicado sempre no momento presente.Posto que não existe vida  passada, tampouco vida no amanhã.A dança temporal demonstra que na temporalidade ocorre três possibilidades:(Algo que já ocorreu,foi realizado, portanto concluso; algo que ainda não ocorreu, poderá acontecer, mas poderá não se concretizar. Estes aspectos temporal foram denominados de passado e futuro. Contudo existe algo que está acontendo neste instante,o presente). Assim,o terceiro passo é um instrumento, para o agora,ação imediata,portanto existencial.Mas, o que dizer Da dúvida? Da ansiedade? Do medo? Da descoberta do novo? Na verdade este passo usa a fé para apaziguar o emocional.
       Outro aspecto importante  é que para ocorrer a prática deste passo, um dependente  primeiro faz  uma escolha,assim,  um  adicto  diante os desafios existenciais, entre as inúmeras possibilidades decide optar por fazer a entrega de sua dependência, de sua vontade,  e de sua vida a um Deus de sua predileção. Após sua escolha ocorrerá  a ação da entrega. Sartre em seu  tratado ontológico,  Ser e o Nada afirmou: "o homem é um construto formado através de suas escolhas". Sartre definiu o ente humano, como "um ser condenado a liberdade". Assim,na existência humana tudo é fruto, consequência de uma escolha,até a não escolha se constitui em uma escolha.
        Assim,após a escolha ocorrerá a ação da entrega da vontade,e da vida, ou seja, da mente e dos acontecimentos. Importante,contudo, observar que o vocábulo entrega significa uma ação peremptória,total absoluta.Não existe meia entrega, ou uma quase entrega. Quem entrega dá algo a alguém, portanto, (ocorre a existência de um doador e de  um receptor),eis a principal consequência deste passo eliminar o arrependimento nas ações,fato comum entre as pessoas.
      Portanto, a prática do terceiro passo ocorre através  de uma escolha pessoal,e de uma ação consciente da entrega  da mente, medos, pensamentos,dúvidas,  acontecimentos, a um Deus.Tal ação seria uma autoanulação do caráter,da personalidade? Não,porque esta entrega só elimina a ansiedade por resultados. Não elimina a ação pessoal e deliberada. Não elimina a responsabilidade da ação praticada. Não elimina a liberdade das escolhas.No entanto é importante a  compreenção que este passo é usado para a recuperação das dependências, doenças compulsivas,como:(alcoolismo, adição em drogas pesadas,comer demais, amar demais, etc).Desta forma, as primeiras entregas estarão ligadas a uma compulsão. Posteriormente vai ocorrendo uma entrega bem mais ampla.
      No final do passo explica qual é o Deus desta entrega.Eis uma definição maravilhosa: na forma em que O concebíamos. Assim,qualquer Deus é aceito. Portanto neste passo cabe: ateus, agnósticos,crentes, espiritualistas,enfim qualquer pessoa, porque o Deus deste passo será sempre o de cada um. Lindo,  eis a essência da liberdade.

    

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