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O Pecado Original!

         Não acredito no dogma do pecado original,  porque tal dogma foi um meio utilizado para controlar,  e manipular o homem, como também para explicar, ou  justificar a morte. Uma  vez que, como um Deus poderoso, onipotente, criaria o homem para ter um fim trágico? Para expô-lo a um processo traumatizante  como  a morte? Pois o caminho do berço ao túmulo  é o caminho palmilhado  pelo homem, com o medo a tiracolo.
        Assim na lenda da criação do mundo , Deus , o pai  criou o mundo os animais,  e depois criou homem e mulher,  neste momento este pai poderoso, superior , resolve colocar a primeira norma proibitiva no mundo, que foi:    ( O homem poderia desfrutar de tudo, mas não poderia comer do fruto desta árvore, chamada árvore do conhecimento, com esta determinação Deus  assegurou a transgressão, o pecado). Desta forma aconteceu, pois quando Deus perguntou ao homem o que ele tinha feito, por achá-lo  estranho, este imediatamente encontrou um bode expiatório e afirmou:---- Foi a  mulher que tu me deste! Que me induziu a comer do fruto proibido.  ------ A mulher imediatamente retrucou, foi a serpente que me enganou.
      Destarte, a culpa estava instalada   e  a ideia  do erro, do pecado justificava agora  o porquê do homem morrer, e através  da  culpa  é  do medo a religião passou  a controlar o homem.No entanto, o cristianismo  surgiu fundamentado nas ideias platônicas que criou a dualidade ( o mundo aparente e o mundo das ideias, o primeiro mundo das sombras, imperfeições, enquanto o segundo mundo das formas, das ideias, mundo da ordem, mundo fora do tempo, espaço casualidade), enquanto portanto, o cristianismo  criou  um meio genial para manter o homem acorrentado a direção religiosa,  a ideia de Céu, e Inferno, a lógica era assim: ( O homem infrator,  "pecador' iria por toda eternidade sucumbir nas chamas ardentes do inferno, enquanto o homem "bom"  iria gozar as maravilhas do céu também por toda eternidade); eternidade representa eões de anos. Logo, com uma argumentação poderosa desta  foi instalada na consciência humana a ideia de culpa do  pecado, ao ponto de deixa-la sem defesas diante da ação manipuladora da Igreja, até hoje existem  pessoas que vivem obcecadas,  com medo de pecar, e de ir para o inferno, assim a  crendice prosperou e aferrou o homem ao medo.
        Recentemente lendo a magnífica obra de Santo Agostinho, confissões  me deparei com desabafo deste, santo homem, o qual deixou-me estarrecido, Ei-la: (" Ouvi-me, ó meu deus! Ai dos pecados dos homens!  É um homem que assim fala a  Vós, senhor, compadecei-vos dele, porque sois o seu  criador  e não autor do pecado. Quem me poderá recordar o pecado da infância, já que ninguém há que diante de vós esteja limpo, nem mesmo um recém nascido, cuja vida sobre  a terra é apenas um dia? Quem mo trará a memória ?  Será por ventura algum menino, ainda pequerrucho, onde posso ver a imagem do que  fui e de não resta lembrança? Em que podia pecar, nesse tempo ? Em desejar ardentemente, chorando,  os peito de minha mãe? Se agora suspirasse com a mesma avidez não pelo seios materno, mas pelo alimento que é próprio da minha idade, seria escarnecido, e justamente censurado"). Na página seguinte do mesmo livro  Santo Agostinho ,declara:  ("Assim, a debilidade dos membros infantis é inocente  mas não a alma das crianças.Vi e observei uma, cheia de inveja, que ainda não falava e já olhava, pálida, de rosto colérico para o irmãozito). Observando as citações de Santo Agostinho, um homem culto, um filósofo,  uma figura proeminente da Igreja que nos legou um acervo  magnífico de sabedoria,confesso fiquei convencido que estava diante de um homem assombrado, obcecado pelo medo, pela ideia do pecado , principalmente do pecado original  ao supor que uma criança de apenas um dia de nascido fosse maculada pelo pecado.
          Em outra situação o eminente filósofo assegura que uma criança que ainda não  sabia falar  estava colérica de inveja do irmão. Quando Agostinho viu inveja na criança? será que ele não estava apenas projetando sua inveja para a criança, que nada sabia que não tinha ideia de posse.  Eis a meu ver a realidade,  o pecado original foi uma justificativa para morte. e a ideia do pecado durante séculos atormentou  a humanidade.
         Não acredito em pecado original, não acredito em céu , não acredito em inferno, não acredito em Deus  com comportamentos humanos. Acredito  na inteligência cósmica, acredito na  magia e exuberância da vida, acredito na força edificante do amor,  acredito que se deve viver  cada instante com sabedoria, respeitando  a vida, agradecendo o dom da vida mesmo que seja por algumas dezenas de anos. Interessante para as religiões eu seria denominado  de ateu, enquanto  para espiritualidade eu seria denominado religioso.

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